Conclusões das entrevistas

 

Através das entrevistas realizadas, pode-se concluir que o voluntariado é importante na vida dos idosos.

Estes passam a maior parte dos seus dias em casa, vendo televisão, rezando ou cuidando da sua pequena horta e como tal, são um dos grupos sociais mais afectado pela problemática da solidão bem como pelos obstáculos físicos do dia-a-dia e, consequentemente, precisam muito deste tipo de apoio.

A maior parte dos idosos vivem sozinhos porque a sua família tem a sua vida e não tem oportunidade de responder às suas necessidades, portanto, este apoio é importante na medida em que pode ajudar nas tarefas domésticas, na higiene pessoal, na administração de medicamentos, nas deslocações e no conforto interior, uma vez que são as dificuldades que estes mais sentem.

Este apoio (apoio domiciliário) ao idoso pode ser remunerado, quando dado por instituições, ou não remunerado, quando prestado por voluntários, sendo este último fornecido às pessoas com mais necessidades económicas através da assistente social ou através de associações.

Na maior parte dos casos, os idosos recorrem aos serviços de apoio domiciliário remunerado devido a doenças. As doenças cardiovasculares são as que mais afectam estes utentes, logo seguida da diabetes, sequelas de acidentes e doenças do foro mental e psíquico.

Ao contactar com as funcionárias do apoio domiciliário, com os voluntários, com as associações e com a assistente social, verificámos que, quase todos, reforçam a ideia de que os idosos se sentem muito sozinhos e, por isso, quando estes vão visitá-los, sentem que fazem diferença no seu dia-a-dia, embora tenham consciência de que muitos destes precisam de apoio 24 horas por dia. Estes referem também que são as experiências e as histórias de vida destes idosos, assim como os sorrisos e as pequenas demonstrações de preocupação e carinho, que os fazem crescer enquanto pessoas, tornando o seu trabalho a cada dia que passa mais gratificante, chegando à conclusão de que afinal não dão nada, apenas recebem.

Como este tempo dispensado aos idosos é bem aplicado, concluímos que é uma actividade que, na maior parte dos casos não interfere negativamente na relação familiar da pessoa que presta o apoio. Em muitos casos, os voluntários referem até que esta actividade interfere positivamente na sua relação familiar, uma vez que acaba por haver apoio da família e até disponibilidade por parte desta para ajudar.

Não são só as pessoas que prestam este apoio que tiram partido das experiências com os idosos, eles também reconhecem que este é muito importante porque os ajuda a ultrapassar as suas dificuldades, a solidão que sentem e a sentirem-se novamente úteis. É claro que, no primeiro impacto com as pessoas que os visitam, nem sempre reagem bem, no entanto, muitos deixam-se “seduzir” pela atenção, amor e carinho que as pessoas lhes prestam e começam a sentir falta destas quando a visita não é feita regularmente.

Depois da análise das informações que recolhemos, pudemos apurar que ser voluntário é um acto de amor para com o próximo e para consigo mesmo, no entanto, a maior parte das pessoas não se mostra sensível ou com coragem para dar um pouco de si aos outros.

Muitas das vezes pensamos que os idosos, ao receberem apoio por parte das instituições já não necessitam de mais nenhum tipo de apoio, mas estamos a pensar de uma forma errada, pois o apoio prestado pelas instituições nem sempre é suficiente, uma vez que na maior parte dos casos os funcionários do apoio domiciliário limitam-se a tratar da higiene pessoal do idoso bem como da higiene da casa deste. O carinho, a atenção e a conversa são dos elementos mais essenciais na vida de um ser humano, e que na maior parte das vezes são esquecidos.

Muitos dos idosos não beneficiam de apoio por parte das instituições devido às suas condições económicas, no entanto, em alguns casos o recurso a uma assistente social mostra ser a solução. Para outros, a única hipótese é o apoio de grupos de voluntários que trabalham sem interesse económico, apenas com o objectivo de serem prestáveis com os outros. No entanto, grande parte dos grupos de voluntariado nem sempre consegue abraçar o número de casos que gostaria, uma vez que carecem de voluntários, mas cabe a cada um de nós contrariar este facto, dado que todos podemos ser voluntários, nunca esquecendo o futuro que nos espera.

 

 

Entrevistas efectuadas a: idosos com e sem apoio domiciliário remunerado, funcionária do Serviço de Apoio domiciliário do Centro Paroquial e Social de Avanca, Dra. Cristina (Técnica Superior de Acção Social) , Sra. Paula (ajudante de acção directa/gabinete de atendimento/acompanhamento social do Centro Paroquial e Social de Avanca), Sr. José Amaral (vice-presidente da Liga dos Amigos do hospital Visconde de Salreu), várias voluntárias do grupo "As Mimosas" e Sr. Lino (Presidente da Conferência Vicentina de Salreu). 

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